Sobre acordar só
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Essa noite sonhei estar em uma casa,
com gente desconhecida entre si.
Ninguém de semblante tão familiar,
mas estavam ali seus detalhes sui generis.
Irreconhecíveis se paradas ao longe,
novos corpos, novas roupas ou cabelos.
Falavam de coisas que não vivo,
Assuntos cotidianos que não compreendo.
Mas as reconhecia ao primeiro movimento,
pelas formas nas íris, cantinho das bocas,
constelações de pintas em cantos pequenos
ou cheiros quase discretos sob seus perfumes intensos.
Fazia tempo que não via aquela gente,
Não sei dos cotidianos, do que falam com alguém,
mas sei de outras coisas sobre elas,
as coisas que elas não contam pra ninguém.
Não sei bem o que fazem da vida,
Mas sei o que cada uma gosta de fazer,
Não sei o que estão lendo,
sei o que cada uma gosta de ler.
Desvinculadas, senão por mim.
Ali era uma reunião delas,
das que pensei, cada uma em seu tempo,
ser, para sempre, só ela.
Vini