Armadura
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Não há como agradecer isso,
nem a você da carta ou ao universo nosso encontro!
Nem as manhas, beija-flor e outros encantos.
Tem me dado tanto do que possa levar desse mundo.
Por falar em mundo;
Não há quem não use armadura para encarar as guerras lá fora.
Não há quem não se machuque, mesmo de armadura, lá fora.
Lá fora, até a armadura machuca.
Sente-se tudo: do peso ao aperto,
Da cabeça aos pés,
Das flechas disparadas com os olhos,
Dos chicotes nos ouvidos.
Lá fora, sobreviver dói.
Das vezes em que sobrevivi a desmoronamentos,
Dos afogamentos que me fizeram soluçar.
Dói porque a armadura não cede.
Mas dentro de nós, meu amor, É tão seguro
Que, no primeiro olhar de cada reencontro,
Em um clique, nossas armaduras se desmontam,
Espalhando-se barulhentas pelo chão.
Então se sente tudo: da leveza ao carinho,
Da cabeça aos pés,
Do “eu te amo” disparadas com os olhos,
Dos sussurros à brisa nos ouvidos.
Sem ela, posso sentir sua pele,
Sentir, ao toque, o relevo das suas cicatrizes,
E você sentir as minhas,
Da cabeça aos pés… e muito além.
Vini