Absurdo
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Ele:
Quando viste que não era um absurdo
eu não te dar coisas deste mundo?
Quiçá um pedaço de papel dobrado,
poema improvisado com desenho ao lado.
Entrego minha atenção e intenção,
tinta de caneta e o meu amor à disposição.
Num papel, de mim um pedacinho,
impresso com tempo de vida em carinho.
Quando viste que não era um absurdo
eu não ser do tipo que surpreende com flores?
Mas do tipo que decepciona, sobretudo,
em certos dias em que parece que mudou tudo?
Nesses dias em que faltam flores à sua porta,
se sentires decepção, você pode ou não
atender ao pedido de socorro e, por ora,
me dar o que mais importa:
Um pouco de atenção e intenção,
colocar o seu amor à disposição,
dar de si um pedacinho,
tempo de sua vida em carinho.
Nesses dias, não me dê nada deste mundo,
pois é de tudo, tudo deste mundo,
que me parece absurdo — estarei cheio
do vazio pesado ao concreto duro.
Mas de tudo que não é deste mundo,
vamos colecionar juntos?
De tudo, mas somente tudo
que se possa levar deste mundo?
Ela:
Quando viste que não era um absurdo
eu não te dar coisas deste mundo?
Quiçá bandeija na cama de noite,
jantar improvisado com uvas ao lado.
Entrego minha atenção e intenção,
tábua de frios e o meu amor à disposição.
No vinho, de mim um golinho,
servido com tempo de vida em carinho.
Quando viste que não era um absurdo
eu não ser do tipo que surpreende com café na cama?
Mas do tipo que decepciona, sobretudo,
em certos dias em que parece que mudou tudo?
Nesses dias em que falta café na cama,
se sentires decepção, você pode ou não
atender ao pedido de socorro e, por ora,
me dar o que mais importa:
Um pouco de atenção e intenção,
colocar o seu amor à disposição,
dar de si um golinho,
tempo de sua vida em carinho.
Nesses dias, não me dê nada deste mundo,
pois é de tudo, tudo deste mundo,
que me parece absurdo — estarei cheia
do vazio pesado ao concreto duro.
Mas de tudo que não é deste mundo,
vamos sim, colecionar juntos.
De tudo, mas somente tudo
que se possa levar deste mundo!
Vini